Ensaio sobre caso: interações sociais

interações

Tem aqueles dias que você olha pra sua lista de amigos do facebook, do whatsapp e companhia e pensa: “Quem é essa gente que eu nem conheço?

A tecnologia trouxe as redes sociais, que trouxeram uma certa necessidade de ser notado a toda hora pelo o que você pensa e compartilha nela. Além da facilidade de você poder conhecer e conversar com gente nova – o que é bem divertido, vamos combinar.

Mas isso tem um impacto tão grande e quase notável aos nossos olhos (principalmente da galera da geração Y como eu) que as relações se tornaram mais virtuais do que reais. Por exemplo, você nunca consegue marcar um encontro pessoalmente com certa pessoa, mas sabe que se mandar uma mensagem a ela, imediatamente será respondido. Ou que é muito mais fácil marcar uma partida de jogo online do que chamar aquela turma pra uma noite no bar.

Muitos motivos são dados para não comparecer aos compromissos pessoalmente – mas a verdade é que estamos nos tornando a cada dia mais isolados. Além disso, fazendo com que a rede social seja a sociedade real em que vivemos e tomando atitudes que não tomaríamos pessoalmente.

Já me aconteceu duas vezes nesses últimos dias – justamente porque em one fine day ago eu decidi que iria fazer uma limpa na minha lista de amigos no facebook (pelo motivo: tem gente demais, não converso com 1/3 destes e nem tenho mais contato com mais 1/3 destes, então vamos deixar quem eu sou próxima mesmo e falo com frequência – nada mais justo, huh?) e ai, eis que depois de ter feito essa benfeitoria no meu facebook, duas pessoas me procuraram se queixando da minha atitude e perguntando o que fizeram de errado, mostrando que essa minha atitude tinha realmente sido ofensiva para elas.

Olhei, reolhei para cada mensagem e pensei comigo mesma: “excluir a pessoa no facebook ‘tá sendo mais ofensivo do que um xingamento?.

Pelo jeito, sim…

Então comecei a fazer uma prática muito comum no mundo da ciência – teste de hipótese. Como quem não quer nada, fui comentando com alguns amigos e de maneira sutil sobre como reagiriam – e a resposta foi quase unânime: as pessoas se sentiriam muito incomodadas com tal ideia. Se questionariam sobre a legitimidade da amizade.

Então eu me questionei – quando nós não tínhamos isso, a gente também não tinha amigos? Tipo, da escola, do bairro, o vizinho da rua de trás…. você podia ficar dias sem se ver e ainda assim, cara, se olhassem no parquinho, ia ter a famosa disputa para quem chegasse primeiro no balanço ou na gangorra (velhos tempos… velhos tempos…). Você dava um soco, levava outro e aí pedia-se desculpas. E fim, voltava-se a ser amigos. Cometia-se bobagens, perdoava-se e já era

Por que agora não pode ser assim? Por que eu preciso de um estúpido banco de dados para provar que eu sou amiga de tal pessoa. Aonde foi que eu assinei um contrato dizendo que uma rede social vale mais do que a minha lealdade? Pelos deuses, o que estamos fazendo com nós mesmo? Não quero me sentir um computador… mesmo já sentindo.

Giane Higino

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