Selma

selma

Ficha Técnica

  • Direção: Ava DuVernay
  • Roteiro: Paul Webb
  • Elenco: David Oyelowo, Carmen Ejogo, Oprah Winfrey, Cuba Gooding Jr. e mais.
  • Gênero: Biografia, drama
  • Lançamento: 05 de fevereiro de 2015

Selma é um filme muito intenso. Um dos melhores que eu já assisti em toda minha vida, sem sombra de dúvidas. Foi indicado ao Oscar de melhor filme e de melhor canção original, tendo ganhado o prêmio por esta segunda categoria. Como eu quero começar a falar dele logo, vamos à nossa sinopse:

Vamos acompanhar o processo que culminou nas Marchas de Selma em 1965, lideradas pelo doutor Martin Luther King Jr., pelo direito ao voto para os cidadãos negros dos EUA. Mostra-se alguns discursos de Luther King, suas conversas com o presidente Lyndon B. Johnson e as batalhas travadas contra o xerife Jim Clark e o governador do Alabama, George Wallace.

Antes de entrar no filme em si, vou contextualizar um pouco vocês.

Sobre Martin Luther King Jr.:

Martin Luther King Jr. era um pastor protestante e se tornou um ativista dos direitos civis bem no início de sua carreira. Liderou o boicote aos ônibus de Montgomery em 1955 (contra a segregação racial) e ajudou a fundar a Conferência da Liderança Cristã do Sul (SCLC) em 1957, servindo como seu primeiro presidente. Sua luta levou às Marchas sobre Washington de 1963, onde ele fez seu discurso mais famoso chamado “I Have a Dream.”.

Em 14 de outubro de 1964, foi premiado com o Nobel da Paz pelo combate à desigualdade racial através da não-violência. Durante os anos que antecederam sua morte, ele expandiu seu foco à pobreza e à Guerra do Vietnã.

Martin foi assassinado em 04 de abril de 1968, em Memphis, no Tennessee, na sacada de seus aposentos no Lorraine Motel.

Sobre as Marchas de Selma a Montgomery:

Consistem em três manifestações do movimento pelos direitos civis negros dos EUA que conduziram à aprovação da Lei dos Direitos ao Voto de 1965. Todas as marchas foram tentativas de caminhar por 85 quilômetros, da rodovia de Selma até a capital do estado, Montgomery.

A primeira marcha, Domingo Sangrento, aconteceu em 07 de março de 1965, onde mais de 500 negros e negras de todas as idades protestavam contra a morte de um ativista, Jimmy Lee Jackson, e contra a permanência da exclusão no processo eleitoral. Os manifestantes caminharam pela Rodovia 80 até chegarem ao fim da ponte Edmund Pettus. Ali eram aguardados pela força policial e por moradores brancos, convocados pelo xerife de Selma e armados de bastões e ferros. A polícia recebeu ordem de descer o cacete em todo mundo e foi isso o que fizeram – ninguém foi poupado, nem mesmo os idosos presentes. Dr. King não estava presente neste dia.

A segunda marcha, Terça-Feira da Reviravolta, ocorreu dois dias depois da primeira, no dia 09. Luther King convocou a todos aqueles – brancos e negros – que discordavam do que estava acontecendo e queriam ajudar. Centenas de pessoas, até mesmo autoridades religiosas, de todos os estados foram até Selma apoiar aquela manifestação. Desta vez, mais de 2.500 pessoas marcharam pelo mesmo caminho de antes e foram interceptados pela polícia no mesmo ponto de antes, a ponte Edmund Pettus. Diferentemente da primeira marcha, a polícia recebeu ordens para recuar por conta da presença dos cidadãos brancos.

A terceira marcha, À Montgomery, aconteceu em 21 de março, durou cinco dias, e se deu em circunstâncias diferentes das outras duas. Depois da segunda marcha, naquela mesma noite, três ministros brancos que apoiaram a causa foram perseguidos por quatro membros da Ku Klux Klan e espancados. Um dos ministros, James Reeb, foi morto. Por conta disso, a SCLC levou o caso à corte para conseguir permissão legal para marcharem até a capital, Montgomery. Essa permissão foi concedida, mesmo com duas marchas ilegais realizadas anteriormente, e King reuniu mais de 8.000 pessoas em Selma para iniciar a caminhada. Esta marcha terminou em 25 de março, no capitólio do estado do Alabama, onde 25.000 pessoas se sentaram para ouvir Martin Luther King Jr. discursar. Da mesma forma que a segunda, não houve intervenção policial durante toda a caminhada.

~~*~~

Vamos, finalmente, ao filme.

Começamos com a premiação de Luther King, na cerimônia do Prêmio Nobel, onde ele dá um discurso muito belo, com toda a atenção voltada aos cidadãos negros dos EUA. Logo em seguida, acontece uma explosão no que eu acredito ser um orfanato e seis crianças são mortas. Essa explosão foi um ataque da KKK. Nos é mostrado a dificuldade pela qual passava qualquer negro que quisesse tirar seu título de eleitor, mesmo que eles já tivessem o direito de votar. Muitas dificuldades nos são mostradas e a relação que elas têm com a atualidade fica tão exposta que chega a ser incômodo e revoltante.

Wendell Pierce, que interpreta Hosea Williams, compareceu à premiere de Selma com essa camiseta, fazendo referência à Eric Garner, que morreu enforcado por um policial no ano passado.

Durante todo o filme, eu pensei em Ferguson. Eu pensei em Mike Brown e em Eric Garner e em todos os jovens negros que foram brutal e injustamente assassinados pela polícia estadunidense em 2014. Eram jovens desarmados, assim como Jimmy Lee Jackson, que foi morto por um policial durante uma marcha contra a prisão de um dos ativistas da SCLC em 1965. Tudo está conectado e nada mudou. As marchas de Selma são exatamente iguais às passeatas de Ferguson. E a resposta da polícia e da sociedade são as mesmas.

À esquerda, Eric Garner. À direita, Mike Brown, morto a tiros, também por um policial.

Durante todo filme eu pensei no discurso do John Legend e do Common, na aceitação do Oscar por Glory, em que eles diziam que Selma é agora. Que a luta por justiça acontece agora. Que hoje, em 2015, há mais negros presos nos EUA do que haviam negros escravos em 1850.

Existem pessoas que acham um absurdo falar em racismo hoje. Eu assisto a filmes como Histórias Cruzadas e Selma e não consigo entender essas pessoas. Claro, ambos filmes se passam nos anos ’50 e ’60, mas é impossível não ver que tudo permanece igual. Ouvindo os discursos tão verdadeiros e bem-construídos de Luther King, me deu um ódio imensurável entender que ele falou há 50 anos e nada mudou.

Vou ser muito sincera com vocês, eu não sei o que dizer sobre esse filme. Eu não sou negra, o racismo não me afeta diretamente; claro, me dói e me revolta vê-lo acontecendo, mas isso é resultado de meses de desconstrução e anos de empatia, não porque acontece comigo. Portanto, não sou eu que tenho que falar pra vocês o que é racismo e como ele funciona. Se tudo der certo, eu ainda vou trazer o texto de ume convidade negre e essa pessoa vai poder ensinar a vocês tudo o que há pra se saber sobre o assunto.

Por enquanto, eu vou deixar aqui o apelo para que vocês assistam Selma. Assistam, chorem, se revoltem, soquem mesas e mordam lábios de tanta raiva por ver o tratamento dispensado a um ser humano por conta de algo tão banal, a cor de sua pele.

Depois disso, assistam ao vídeo abaixo; é a apresentação de Glory no Oscar e foi uma das coisas mais maravilhosas que aconteceu naquele evento. Prestem atenção à letra – se você não sabe inglês, jogue no Vagalume ou no Letras.terra e leia a tradução. Essa música atravessou o véu da arte. Ela se tornou uma oração. Não importa se você não acredita em Deus ou acredita em um Deus diferente que o de Martin Luther King Jr., porque essa canção se torna uma oração a partir do momento que alcança nossa alma. É surreal.

À todes es negres que, possivelmente, me leem agora:

Cara, vocês são, sem dúvidas, as pessoas mais incríveis que existem. Não há quem os supere em força e presença de espírito, em dignidade e em exemplo de como ser um ser humano. Vocês são um poço de humanidade e eu aprendo muito com vocês todos os dias. Não acreditem nas pessoas que dizem que vocês são feies por causa do seu cabelo crespo, do seu nariz largo ou da sua boca grossa. Todos esses traços foram calculadamente desenhados pra que você carregue em frente a história maravilhosa de um povo glorioso. Vocês são deuses e eu admiro muito a cada ume. Juro que digo tudo isso com nada além de humildade e vontade de erguer um altar pra vocês, espero que não tenha sido ofensivo…


P.S.: As informações sobre Martin Luther King Jr. e sobre as Marchas de Selma foram retiradas da WikiPedia.


Então é isso, pessoal! Se vocês gostaram, sigam o blog pra mais conteúdo divertido assim, comentem aqui em baixo e compartilhem prezamigue verem. Se vocês não gostaram, façam tudo isso assim mesmo porque sim! Se vocês têm alguma sugestão, ou gostariam que eu falasse sobre alguma coisa, me digam nos comentários ou me mandem um e-mail (o endereço está ali na descrição, embaixo da minha foto divônica).

SAVE THE DATE: Nosso próximo encontro será dia 15/03, mas eu ainda não pensei no que vou dizer… se tiverem alguma sugestão, sou toda ouvidos. Se não, será surpresa!

Abraços quentinhos!

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