O Mundo Segundo Mafalda,

Ou sobre como eu me perdi em São Paulo…

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Arte de rua próximo ao Vale do Anhangabaú

Na sexta-feira 13, eu saí da faculdade e fui pra casa da minha tia, na Mooca, pra passar o fim de semana. Um dia antes, descobri que a exposição da Mafalda (que eu estava louca pra ir) acabaria no domingo e bateu o desespero, porque já tinha compromisso marcado o fim de semana todo! Decidi que ia no domingo pela manhã, antes do almoço. Mafalda vale a perda de algumas horas de sono!

Saí cedo de casa, porque tinha certeza que a Praça das Artes estaria cuspindo gente, já que a exposição é famosa – o Haddad até tocou guitarra na inauguração, lembram? Peguei as direções com meu tio (que é um GPS humano), saí do prédio e fui pro ponto de ônibus. Eu ia em direção à Praça da Sé, desceria no ponto final e iria até o Largo São Bento (que era onde eu achava que devia ir).

A confusão começou quando eu não me atentei ao fato de que, devido à Marcha da Manha naquele dia, a prefeitura fez alguns desvios, acredito eu, pra não ficar muito trânsito ou sei lá. Por causa disso, o ônibus não seguiu seu trajeto normal e mandou todo mundo que ia pra Sé descer na Venceslau Brás. Meu estômago parou no meu pé. Tinha me ferrado bonito.

Gente, eu sou guarulhense nascida e criada. Eu não sei andar em São Paulo! Fui criada dentro de casa, quase nunca saio, mal sei andar em Guarulhos, imagina numa cidade zilhões de vezes maior?! É óbvio que eu me perdi. Eu ia me perder mesmo que o ônibus fizesse o caminho de sempre, pra ser sincera.

Bem, quase todo mundo do ônibus desceu ali e eu fui com a multidão, rezando forte pra acabar na Praça da Sé, sem nem considerar que eu não fazia ideia de pra onde ir depois disso. Saliento novamente que nunca tinha andado pelo centro velho (ou qualquer centro) de São Paulo, principalmente sozinha. Tentei agir como se aquilo fosse normal, porque a voz do meu pai não me saía da cabeça dizendo:

Aja como se você sabe onde está e pra onde vai.

Dê pinta de turista e você vai ser assaltada.

Então continuei andando, mesmo depois da multidão do ônibus ter dispersado, olhando sempre pra frente, pisando firme e tentando não me desesperar sempre que alguém chegava mais perto. Quase entrei no metrô (devia ter entrado), mas lembrei que ia faltar na minha passagem do mês pra faculdade, então nem fui. Olhei pra frente e vi, ao lado da Catedral da Sé, um prédio muito parecido com o Teatro Municipal, mas assim, muito parecido mesmo! Chorei, porque do teatro eu sabia me localizar, então quase corri pra lá.

Praça da Sé, São Paulo

Praça da Sé, São Paulo

É lógico que sendo eu e estando eu perdida, não era o Teatro Municipal. Eu dei uma volta inteira naquele prédio e não era o que eu precisava que fosse. Típico. Tem uma ciclofaixa ali e eu vi uma senhorinha servindo de semáforo e quase chorei em cima dela e perguntei como ir pro Largo São Bento (eu ainda tinha na cabeça que era pra lá que eu tinha que ir) e ela disse:

“Siga a estrada de cones e chegará ao Largo.”

Fui, então, pela minha estradinha de tijolos amarelos.

Cara, eu nunca andei tanto na minha vida. Nunca mesmo. Devo ter dado a volta em todo aquele centro e voltei pra casa com os pés cheios de bolhas e dor. Mas foi incrível, porque esse lado de São Paulo é tão lindo que chega a ser mágico! Me chamem de estranha, mas eu sou completamente apaixonada pelo centro velho de São Paulo. Todo esse trajeto de Praça da Sé, Pateo do Colégio, Mosteiro São Bento, República é a cara do meu paraíso pessoal e eu nunca tinha visto antes. E é maravilhoso. Pode parecer ridículo, mas eu senti uma emoção muito grande enquanto caminhava por aqueles ladrilhos diferentes, cercadas por aqueles prédios de arquitetura tão antigas e ouvindo os sinos do Mosteiro soando tão alto e forte que o chão vibrava!

Apesar de todo o perrengue e do cansaço, foi bacana. São Paulo é linda. Eu não tirei fotos, porque eu estava com medo de permanecer perdida sempre e, sinceramente mesmo, eu tive medo de ser assaltada com a câmera na mão, mas me arrependi. Quem sabe na próxima?

Depois de quase uma hora e meia andando, eu achei a exposição da Mafalda! O que me leva à segunda parte dessa postagem!

~~*~~

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Quem é Mafalda?

Mafalda é uma garotinha de seis anos que vive com seus pais e seu irmão, frequenta a escola e brinca com seus amigos. Muito sensível ao que lhe rodeia, crítica e com um humor peculiarmente ácido, ela faz diversas observações divertidas e profundas sobre o mundo e a sociedade em que vive.

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Quino

Foi criada pelo cartunista Joaquín Salvador Lavado Tejón, o Quino, em 1962, mas só veio a ser publicada de fato em 1964. Desde então ela faz sucesso, encantando e enchendo seus leitores de amor! E não é pra menos, né?

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O Mundo Segundo Mafalda

Idealizada pela argentina Sabina Villagra, O Mundo Segundo Mafalda é uma mostra linda e especial que comemora os 50 anos da menininha mais crítica e adorável dos quadrinhos!

Composta por 13 ambientes temáticos, que incluem uma exposição dos diferentes mundos de Mafalda e uma sala de TV onde você pode assistir desenhos como ela o faz com os amiguinhos, a mostra foi muito encantadora e deliciosamente interativa. A própria idealizadora comentou que ela foi projetada com foco nas crianças, para introduzi-las ao mundo de Mafalda – por isso vemos a Declaração dos Direitos das Crianças na última das salas –, porém, diversão não olha data de nascimento, só espírito mesmo e posso afirmar que não foram poucos os adultos que eu vi sentados em uma das duas oficinas de criação, desenhando seus próprios quadrinhos!

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Infelizmente, a mostra já terminou, mas eu espero de coração que você possa ter visitado. Mafalda é uma personagem atemporal, capaz de falar com a gente, e nos tocar profundamente, de uma forma afetuosa.

A editora Martins Fontes publicou um livro chamado Toda Mafalda. Não é eufemismo, é mesmo toda Mafalda! Nesta coletânea, estão reunidos os 10 anos de tirinhas mafaldianas, além de uma entrevista adorável com o Quino e uma linha do tempo explicando como Mafalda chegou a ser. Cliquem aqui, caso se interessem em compra-lo, o que eu recomendo fortemente, porque ele é ótimo!

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Abaixo, deixo algumas fotos que tirei na mostra e também alguns poucos trechos do livro mencionado acima, só pra vocês ficarem com vontade de se aprofundar na graciosidade que é essa menina!


Então é isso, pessoal! Se vocês gostaram, sigam o blog pra mais conteúdo divertido assim, comentem aqui em baixo e compartilhem prezamigue verem. Se vocês não gostaram, façam tudo isso assim mesmo porque sim! Se vocês têm alguma sugestão, ou gostariam que eu falasse sobre alguma coisa, me digam nos comentários ou me mandem um e-mail (o endereço está ali na descrição, embaixo da minha foto divônica).

SAVE THE DATE: Sem data definida, no nosso próximo encontro, pretendo falar sobre um livro que me surpreendeu – O Clã dos Magos! Aguardem.

Abraços quentinhos!

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