O Clã dos Magos

Olá, lindezas! Vamos falar de livro? Este vai ser o primeiro livro que eu resenho aqui no blog! *todos comemora* Então vamos começar de uma vez!

MAGICIAN_B.inddTítulo: A Trilogia do Mago Negro – Livro I – O Clã dos Magos

Autora: Trudi Canavan

Lançamento: Editora Novo Conceito, 2012

Sinopse: Todos os anos, os magos de Imardin reúnem-se para purificar as ruas da cidade dos pedintes, criminosos e vagabundos. Mestres das disciplinas de magia, sabem que ninguém pode opor-se a eles. No entanto, seu escudo protetor não é tão impenetrável quanto acreditam.

  Enquanto a multidão é expurgada da cidade, uma jovem garota de rua, furiosa com o tratamento dispensado pelas autoridades a sua família e amigos, atira uma pedra contra o escudo protetor, colocando nisso toda a raiva que sente. Para o espanto de todos que testemunham a ação, a pedra atravessa sem dificuldades a barreira e deixa um dos magos inconsciente.

  Trata-se de um ato inconcebível e o maior medo do Clã de repente se concretiza: uma maga não treinada está à solta pelas ruas. Ela deve ser encontrada e rápido, antes que seus poderes fiquem fora de controle e destruam a todos.

Onde encontrar: Livraria Cultura | Saraiva | Submarino | Americanas

~~*~~

Bem.

Minha relação com esse livro foi algo estranho. Eu comprei sem nem ler a sinopse, nem saber do que se tratava, porque a trilogia estava em promoção no Submarino e eu tinha o dinheiro e a vontade de comprar um livro novo. Aí comprei. Quando chegou, eu fiquei animada, porque as capas são lindas e a sinopse é muito interessante! Comecei a ler na hora.

E me decepcionei pra cacete.

O livro se divide em duas partes. Em uma a Sonea corre e se esconde, na outra ela fica encurralada por uma chantagem. E é muito corre-corre, muito esconde-esconde, muito de muita coisa. Abandonei o livro.

Alguns meses depois, eu o encontrei no meu criado-mudo e pensei “Ah… vou ler de novo, vai. Talvez eu tenha pegado no momento errado…”. E voltei a ler do início. Gente, não sei que exú que deu que eu não larguei esse livro! Passou a parte mais… monótona, por assim dizer, eu fiquei numa pilha que não conseguia parar de ler! E fluiu. Terminei o livro em uma semana – isso porque eu era interrompida por ter de ir à faculdade (e por conta de algumas séries que eu acompanho).

Eu compreendo porque o livro está estruturado dessa forma. Primeiro que a escrita da autora é maravilhosa, ela narra que é uma delícia. Mas a estória está amarrada desse jeito, porque a Trudi quis nos mostrar intimamente o funcionamento da favela, dos Ladrões, as divergências de pensamento entre os favelados e os magos, além de nos contar um pouquinho sobre a história de Imardin. A intenção é bacana, com certeza, mas acho que ela se empolgou um pouquinho…

Trudi, miga, nos próximos livros seje menas que vai ser melhor!

Uma coisa curiosa é que eu tive um confronto de ideologias durante um diálogo entre Sonea e o mago Rothen. É a primeira vez que eles conversam e Sonea, sendo uma favelada e tendo sofrido as piores consequencias da Purificação, tem muita mágoa e muita fúria com relação ao Clã, que usa seus poderes em favor das Casas, mas nunca em favor dos favelados, e Rothen, um mago muito gentil e querido, tenta mostrar a ela o outro lado da moeda. Em determinado momento, o diálogo se conduz da seguinte forma:

“— Se uma grande quantia de dinheiro fosse dada a pessoas que você conhece nas favelas — disse ele, lentamente —, você acha que o partilharia para ajudar os outros?

— Sim — respondeu ela.

Ele levantou uma sobrancelha.

— Então nenhuma dessas pessoas ficaria tentada a guarda-lo todo para si?

Sonea fez uma pausa. Ela conhecia algumas pessoas que não o fariam. Bem, mais do que algumas.

— Algumas, acho eu — admitiu ela.

— Ah — dise ele —, mas você não queria que eu acreditasse que todos os moradores das favelas fossem pessoas egoístas, queria? Nem deveria você acreditar que todos os magos são egocêntricos. Também queria, sem dúvida, dar-me a certeza de que, apesar de todas as leis que violam e do comportamento selvagem que têm, as pessoas que conhece são, na maior parte das vezes, decentes. Não faz sentido, então, julgar todos os magos pelos erros de alguns, ou pelo berço que têm. A maioria deles, garanto, esforça-se para ser decente.

Franzindo as sobrancelhas, Sonea desviou o olhar. O que ele disse fazia sentido, mas não a reconfortava nem um pouco.

— Talvez — replicou ela —, mas ainda assim não vejo nenhum mago ajudando pessoas nas favelas.

Rothen acenou com a cabeça.

— Porque sabemos que as pessoas das favelas recusariam nossa ajuda.

Sonea hesitou. Ele estava certo, mas, se as pessoas de lá recusassem a ajuda do Clã, era porque o Clã lhes dera motivos para odiá-los.

— Não recusariam dinheiro — salientou ela.

— Assumindo que você não seja um daqueles que se apropriariam dele, que faria se eu lhe desse uma centena de peças de ouro para usar como quisesse?

— Alimentaria as pessoas — disse ela.

— Cem moedas de ouro alimentariam alguns durante muitas semanas, ou muitos por poucos dias. Depois, essas pessoas ainda seriam tão indigentes quanto antes. Teria feito pouca diferença.

Sonea abriu a boca, depois voltou a fechá-la. Não havia o que pudesse dizer diante disso. Ele estava certo, e ao mesmo tempo não estava. Tinha de haver algo de errado com o fato de nem sequer tentar ajudar.”

Nesse momento, eu precisei parar pra refletir. Se você for como eu, desde o começo do livro você pega raiva do Clã por ser elitista e se afeiçoa aos favelados, por serem marginalizados e sofrerem injustamente por condições que eles não criaram para si nem queriam estar. Com esse ponto de vista do Rothen, eu olhei pra frente por um momento e precisei dar razão pra ele. Isso não é desculpa pra nem tentar mudar e ajudar a todas as pessoas, mas o que ele diz também não é mentira.

Bom, no geral, eu curti o livro. Ele é bem escrito, mesmo partes da história sendo contadas a partir de pontos de vista diferentes, nada fica solto no ar e tudo faz sentido. Compreendemos muito bem a dinâmica das favelas; eu me identifiquei muito com a Sonea, ela é uma personagem a qual a gente se apega fácil, e os magos são muito interessantes! Recomendo a leitura pra quem gosta de livros de fantasia, com magia, perseguições, intrigas e coisas do tipo!


Então é isso, pessoal! Se vocês gostaram, sigam o blog pra mais conteúdo divertido assim, comentem aqui em baixo e compartilhem prezamigue verem. Se vocês não gostaram, façam tudo isso assim mesmo porque sim! Se vocês têm alguma sugestão, ou gostariam que eu falasse sobre alguma coisa, me digam nos comentários ou me mandem um e-mail (o endereço está ali na descrição, embaixo da minha foto divônica).

Abraços quentinhos!

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