A polêmica de Ruth Rocha

Quem nunca ouviu falar em Ruth Rocha?

Aquela senhorinha com cara de simpática, uma das maiores autoras nacionais de livros infantis, e rainha das escolas, que sempre selecionavam livros dela para serem trabalhados em sala de aula. Todo mundo já leu “Marcelo, martelo, marmelo” ou “O Reizinho Mandão”, com certeza!

Eu sempre gostei dos livros dela, porque, diferentemente de muitos por aí, ela não trata a criança como alguém estúpido que não sabe de nada. Ela sabe como as crianças são inteligentes, como são perceptivas e como elas entendem (às vezes mais e melhor que os adultos) o que acontece no mundo que as cerca.

Ano que vem, Ruth faz bodas de ouro com a literatura. Há 50 anos ela produz livros adoráveis e atemporais que são passados de geração em geração. Por isso, o iG fez uma entrevista toda especial com ela e eu fui ler toda animada! Até que me deparei com isso aqui:

“(…) Eu não gosto de ler “Harry Potter”, não acho que é literatura.”

Oi?

Miga. Tudo bem que você é a rainha dos baixinhos no mundo da leitura, mas oi?

Além de extremamente egocêntrica, Ruth foi imensamente infeliz em sua declaração e não poderia estar mais errada.

Eu conto 20 anos (logo mais completo 21) e afirmo com toda a certeza do mundo que muitas pessoas dessa minha faixa de idade se tornaram leitores por causa de Harry Potter. Eu me tornei. A Pedra Filosofal foi o primeiro livro de fato que li por vontade própria – e, acho, o primeiro que li sozinha, sem ajuda de um adulto. Ouvir alguém dizendo que isso não é literatura porque a pessoa não gosta é bastante ofensivo.

E não estou dizendo que todo mundo é obrigado a amar Harry Potter e idolatrar a JK como a deusa do universo que ela obviamente é. Não. Estou dizendo que precisamos ter cuidado com o que dizemos, principalmente se nossa voz é algo de grade alcance.

Harry Potter é literatura. É um livro, publicado e republicado várias vezes, que tocou (e toca até hoje) a alma de muita gente. É muito injusto para com os leitores alcançados por esta obra fazer uma declaração como a de Ruth Rocha. E é extremamente egocêntrico da parte dela achar que ela pode definir o que é ou não literatura.

Ruth, querida. Te acho uma escritora muito competente. Mas você errou feio dessa vez. Espero de coração ver uma retratação de sua parte.

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