Sobre a maturidade dos sentimentos

Sou amiga íntima da dona do blog a uns 05/06 anos. Tenho outras amizades a quase 10 anos. Tenho sentimentos fortes por alguém a quase 02 anos. Convivo com meus pais e irmã mais velha a 20 anos. Com a irmã mais nova, a 18 anos.

Citei aqueles relacionamentos como exemplo dos muitos que temos em nossas vidas e que ainda continuam de pé por nossos sentimentos (ou não).

A palavra “começo” para qualquer coisa, antes de tudo, sugere uma novidade. As coisas são simples, cada descoberta é uma alegria certa naquele momento. As afinidades em comum se tornam imãs e as diferenças – ah, essas nós deixamos de lado um pouco.

Cada dia que se passa, no começo, juntamente com os dilemas, parecem um tanto tranquilos… as manias começam a aparecer aos poucos, mas o mau humor parece sumir – é só o começo. Porque nós buscamos nos começos essa sensação da descoberta no dia-a-dia que não é previsível.

Mas como tudo na vida tem um prazo, logo o sentimento do começo dá lugar a solidez da convivência diária dos dilemas compartilhados e dos negócios que vamos resolvendo. A magia não se perde, mas a relação que antes engatinhava agora está de pé. Começamos a sentir a carga que o outro leva bem como percebemos melhor as diferenças que antes não eram empecilhos. O legal dessa fase é que partir daí a relação se consolida – não há mais tanta novidade, mas as coisas já ganharam forma e precisam agora serem preenchidas. Também nessa fase vivenciamos as limitações de cada um.

As famosas “mancadas” começam a surgir e até podem terminar com a relação.. porque tudo depende da base, que sustenta o topo. Não garantimos que sejam aborrecimentos fáceis de esquecer – alguns até passam batidos, outros já podem doer mais. Pedidos de desculpas são mais facilmente aceitos aqui.

Antes de nós crescermos, deveríamos ter aprendido algo básico para qualquer tentativa: sair da casinha requer certa coragem de sofrer alguns desfalques. Porque mesmo a ideia de que as pessoas não são iguais, mas esperamos delas coisas que nos exigimos de nós mesmos. A diferença, quando bate, dói. Mas seria melhor compreendida se fosse feito assim.

Também podiam ter nos ensinado a ter paciência diante das diferenças… e compreensão. Porque não tardou as vezes que nos perdemos a cabeça por uma coisa inútil. E estragamos tudo. O quanto uma conversa despretensiosa pode revelar mais do que uma grande discussão.

Queria eu ter evitado tantas coisas, tantos problemas, tantas discussões e despedidas. Todos nós. Em algum momento quis fazer o tempo voltar.

Mas o tempo passa e acontece de que tudo na vida “passa” – ou amadurece, como em algum dia nós perceberemos. Vai haver atitudes que antes julgamos como certas, se mostraram erradas durante todo o tempo que levou para essa reflexão. Vai haver pensamentos equivocados, sentimentos inúteis e necessariamente, as tentativas de volta. Pedir perdão é algo que fere o nosso ego mas limpa nossa alma de maneira única.

E aí nós percebemos que amadurecemos nossos relacionamentos. De alguma forma nós tomamos posições a cada dia. Retomamos outras. Reinventamos.

Mas crescemos. Em algum dia.

Giane Higino

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